Precificar importado: o crédito de 4% que muda toda a conta
Produto importado tem regra própria de crédito de ICMS. Ignorar isso significa achar que a margem é maior do que é.
O detalhe que quase ninguém coloca na planilha
Em operações interestaduais com produto importado, a alíquota aplicável é de 4%. Isso tem um efeito direto
e frequentemente esquecido: o crédito de ICMS que você aproveita na compra é menor do que seria em um
produto nacional equivalente.
Traduzindo para o que interessa: o mesmo preço de venda, com o mesmo custo, entrega margem menor no
importado. Se a sua planilha usa uma alíquota única para tudo, ela está superestimando a margem de parte
do seu catálogo — geralmente a parte de ticket mais alto.
As quatro variáveis que mudam por tipo de produto
Nacional. Crédito na compra pela alíquota normal, débito pela alíquota do destino.
Importado. Crédito limitado à alíquota interestadual de 4%.
Base reduzida. Débito e crédito reduzidos proporcionalmente — o benefício não é só no débito.
Monofásico. PIS/COFINS zerados na saída. Em produtos com essa característica, a margem real costuma
ser bem maior do que o modelo genérico indica.
Substituição tributária. ICMS já recolhido na entrada: sem débito e sem crédito na revenda.
Cinco tratamentos diferentes. Uma planilha com uma alíquota só está errada em pelo menos quatro deles.
DIFAL: para onde vai o imposto
Na venda a consumidor final de outro estado, o ICMS é devido ao estado de destino, pela alíquota interna
de lá. Como as alíquotas variam entre estados, **o mesmo produto pelo mesmo preço entrega margens
diferentes dependendo do CEP do comprador**.
Isso não é motivo para desespero — é motivo para calcular por venda, e não por média. Uma operação
concentrada no Nordeste tem uma margem média diferente de uma concentrada no Sul, vendendo exatamente o
mesmo catálogo pelo mesmo preço.
Benefício fiscal do centro de distribuição
Quem opera com CD em estado que concede benefício sobre ICMS tem mais uma variável: parte do imposto
devido volta. Se essa informação não entra no cálculo, dois efeitos aparecem juntos — a margem real fica
maior do que a exibida, e a decisão de qual CD expede o pedido deixa de ser otimizada.
O ponto que amarra tudo
Margem não é um percentual do preço. É o resultado de sete contas encadeadas, e três delas dependem de
características fiscais do produto e do destino do pedido. Qualquer ferramenta que prometa margem sem
perguntar o seu regime tributário e o tipo do produto está mostrando outra coisa.
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